Ao participarem do IX Congresso Médico da Fenam, que foi realizado de 25 a 28 de junho na cidade de Canela, Rio Grande do Sul, dirigentes de sindicatos médicos de todo o país aproveitaram para enviar mensagens aos médicos de suas regiões, através do portal da Fenam TV, destacando a importância, entre outras lutas, da melhoria das condições do trabalho médico, da conquista do piso salarial da Fenam, que é de R$ 7.503,18, e da implantação de um plano de carreiras, cargos e salários no Sistema Único de Saúde e que seja exclusivo para a categoria.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Grande ABC, Ari Wajsfeld, por exemplo, perguntou aos médicos como eles acreditam que estarão as condições operacionais de trabalho nos próximos anos, caso não haja mudanças. “Se nós não nos empenharmos para mudar a situação atual das diretrizes operacionais, como vocês acham que estará a medicina daqui a 10 ou 15 anos?”, questionou Ari.
O presidente do Sindicato dos Médicos da Bahia, José Caíres Meira, perguntou aos médicos de seu estado qual a expectativa que eles têm frente à luta dos sindicatos de todo o Brasil junto à Fenam pela conquista do piso salarial de R$ 7.503,18.
José Santos Menezes, presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe, também defendeu o piso salarial da Fenam e lembrou a importância da união entre os sindicatos e demais entidades médicas para defender os mesmos objetivos. “Precisamos caminhar juntos para fortalecermos nossa categoria,” completou José Menezes.
Os presidentes dos sindicatos médicos de outros estados como São Paulo, Paraíba, Roraima, Rondônia, Pará, Ceará e Pernambuco também enviaram mensagens aos médicos de suas regiões. Todos os vídeos estão disponíveis no portal da FENAM TV, no Youtube.
Confira: http://br.youtube.com/fenamtv
CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO MÉDICO
O Médico ao longo dos últimos 60 anos vem sofrendo um genocídio profissional, o baixo salário vem obrigando a um aumento gradativo de sua jornada diária, semanal e mensal de trabalho, sobrando menos tempo para si, para a família, e para se reciclar. A jornada é continua, se está de férias em um serviço, está trabalhando no outro, férias é apenas deixar de trabalhar em um serviço. Não existe sábado, domingo, feriado, dia das Mães e Pais, Natal e ou Ano Novo, existe uma escala de plantão. No local de trabalho, onde era admirado, idolatrado, hoje não há qualquer dignidade, é agredido, por representar o sistema, o mesmo sistema que não o protege das mesmas agressões. Não existe um ambiente em que possa fazer adequadamente, sua higiene e necessidades fisiológicas. É obrigado a aceitar o que lhe dão, numa semi escravidão, não tem direito de contestar. O local reservado para os curtos momentos de repouso, falta o mínimo de conforto, as camas têm os estrados quebrados, inadequados para a cama, o colchão rasgado, mal cheiroso, serve a varias classes de servidores, os lençóis não são trocados nos diversos turnos, você os encontra usados, sujos e seu tamanho é menor que a cama, portanto, curto não cobre todo colchão, nem sempre é fornecidos, se quiser arrumar sua cama tem que levar tudo de casa, a quantidade de leitos não atende a todos os plantonistas. A alimentação tem qualidade ruim, e mal conservada em isopor rasgado, sujo por restos alimentares que não conseguem ser totalmente removidos, às vezes chegam ao local estragada, imprópria para consumo. O local onde é feito à alimentação, é um ambiente sem o mínimo conforto, composto de bancos insuficientes para a quantidade de funcionários, não tem encosto, portanto não atende a NR17, obrigando a uma ingesta correndo, já que o seu colega está ao lado aguardando seu lugar. A grande maioria das profissões, tem lutado por teto de salário, os Médicos não, aceitam trabalhar por salários aviltantes e almeja o piso salarial, uma espécie de salário mínimo para a classe médica.É incapaz de se mobilizar e lutar por direitos e ou benefícios para si, luta sempre para o bem estar do próximo, do humilde, do doente. A política de saúde tem sabido usar esta incapacidade da Classe Médica, com maestria, aproveita a submissão do Médico e joga sobre o profissional a incapacidade da saúde publica, as falhas do setor e toda a responsabilidade pelo seu funcionamento ruim. O Médico, vem recebendo sobre os ombros o peso da falta de estrutura ou insuficiência de real política publica de saúde, que pode ser comparada a um dos piores serviços públicos, vem se transformando em um lixo, e o Médico misturado a ele, a ponto de hoje ser impossível separar os dois.
Temos sido empurrados para unidades de saúde que deveriam ser chamadas de unidade de doenças. Nestas unidades falta tudo, equipamentos, medicamentos, profissionais de saúde em numero necessário, e o Médico se vê obrigado a adaptar tratamento. Na falta do medicamento ideal, e falta de condições do usuário em adquiri-lo, adapta-se o que tem, muitas vezes insuficiente para a cura e sim permite uma melhora temporária. Na falta de leitos hospitalares na necessidade exigida, estes postos viram hospitais, permanecendo o doente neles, mais tempo do que deveriam, e até sendo tratados de forma precária ali mesmo, enquanto os corredores dos hospitais, são transformados em quartos de alto luxo. Muitos pacientes vêm aos postos receber o primeiro atendimento, principalmente nos Prontos Atendimentos, tratamento este primordial para o resultado final e evitar seqüelas, mas tais postos referendados para tal, não tem às vezes a mínima condição de fazê-lo. Nos postos se faz procedimentos contaminados e limpos no mesmo ambiente, portanto funcionando como causador de doenças. A falta de recursos vem obrigando o Médico a escolher quem deve vivem e a quem deixa morrer. O Médico não está preparado para esta escolha, ele quer salvar a todos, mas não consegue e a situação o aflige, o stressa, o deprime e vem acabando com seu ideal de salvar vidas.
Hoje vê cargos que são exclusivos de Médicos, hoje é ocupado por qualquer amigo do Rei, que por desconhecimento e ou vaidade, oprime o Médico e retira ou é contrario a maioria das suas reivindicações, tornando-o totalmente dependente até para executar suas funções, executando atos que o agride, como definir quem morre e quem vive.
O momento exige mudança de postura, o Médico tem que ressurgir das cinzas, valorizarem sua profissão, dar a volta por cima, olhar para si, lutar por seus direitos, melhor condição de trabalho e salário digno. Devemos parar de pensar em piso, tirar por baixo e começarmos a pensar em teto salarial, nosso valor e do nosso serviço deve ser definido por nós, vamos pensar no valor que nos atende e lutarmos por ele, não vamos desanimar no primeiro obstáculo encontrado, vamos nos preparar para uma luta árdua.
A Classe Médica é poderosa e não tomou consciência disto ainda, reflita quanta coisa só pode ser feita por você, vamos preparar nossos passos, item a item, e unir toda Classe Médica num único movimento.
Os Conselhos de Medicina devem fazer as resoluções e fiscalizar os órgãos publico para cumpri-las, quantas unidades de saúde sequer tem registro no Conselho, regimento interno, a determinação de ter Diretor Clinico e Técnico é ignorada pela maioria das unidades publicas. As unidades publicas em grande numero funcionam sem as mínimas condições e os médicos que ali labutam o fazem sem condições mínimas. Poucos ou equipamentos obsoletos, sem manutenção, padronização de medicamentos cuja prescrição causam resultados mínimos e insatisfatórios que refletem como falta de qualidade de serviço médico.
Quando falamos em campanha de valorização do médico, falamos em fiscalizar e exigir condições de trabalho e conseqüentemente de salários, em todos os Conselhos do Brasil, Sindicatos Médico e AMB. Há necessidade de se fortalecer as entidades médicas para que possam ter poder de influencia nos moldes da OAB.
No momento que estes órgãos saírem em defesa do médico os mesmos terão interesse em filiar aos mesmos.
Vitória, 24 de abril de 2008
Dr Francisco Mário de Azevedo Barros
CRM-ES 2562