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A Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) não vai aderir ao plano de expansão das vagas para o curso, imposta pelo Ministério da Educação. A decisão unanime foi tomada na última quinta-feira (12) em uma reunião que contou com a presença do Sindicato dos Médicos do Estado, docentes, professores, estudantes, e representantes do Comando Local de Greve (CLG).

Conforme avaliação do Conselho Departamental da unidade acadêmica, a falta de professores especializados, de infraestrutura adequada e de discussão local sobre o projeto levou à decisão.

“Somos favoráveis a uma expansão, porém de maneira planejada, não da maneira como está sendo imposta pelo MEC. Ao analisamos os dados encaminhados pelo governo federal e a maneira como foram apresentadas as propostas, percebemos que é preciso discutir com mais profundidade, mostrando fundamentos técnicos e levando em conta a realidade amazônica”, explicou o diretor da Faculdade de Medicina, Dirceu Benedicto Ferreira, em entrevista ao jornal local D24AM. 

Segundo Benedicto, o plano não dispõe de justificativas técnicas nem para a ampliação de vagas, no caso da Ufam em Manaus, muito menos para a criação de vagas, no caso de Coari. “Essa é uma proposta impossível de ser implementada da forma como está sendo apresentada pelo governo”, afirmou. Conforme o diretor, a Faculdade prima pela qualidade dos alunos formados no curso, não pela quantidade. “Somados os alunos do 1º ao 6º ano, temos hoje 672 alunos. Com essas novas vagas, passaríamos a ter 960 alunos. Mas, nem as maiores universidades do mundo possuem esse número de estudantes”, completou.

Publicado no Diário Oficial da União em 8 de junho de 2012, o Plano de Expansão do Ensino Médico no Brasil ofertava mais de 48 vagas para o curso de medicina em Manaus e a criação de um outro curso de medicina na cidade de Coari. A lista total de universidades federais beneficiadas com o plano cria 1.395 novas vagas em todo o país, um número considerado absurdo e desnecessário pelas entidades médicas.

“A faculdade de medicina do Amazonas e muitas faculdades públicas do país atravessam graves crises de condições de trabalho, da remuneração dos professores e na qualidade de ensino como um todo. É um contrassenso querer expandir vagas em uma faculdade onde atualmente não se consegue oferecer um ensino de qualidade necessário para o bom exercício da profissão médica. A decisão da Ufam foi absolutamente correta,” apoiou o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mario Vianna.

Ele relatou que denúncias sobre a qualidade de ensino são feitas freq uentemente ao Sindicato. “Esta expansão foi imposta de cima para baixo sem uma conversa com as faculdades de medicina em cada estado. Mas nós do sindicato estamos atentos, preocupados e na busca de ações que permitam que os colegas que sonham em ser médicos, possam ter um ensino de qualidade e exercer sua profissão com segurança e acima de tudo que possam ser valorizados pela qualidade do trabalho que apresentam à comunidade e à sociedade brasileira como um todo.”

Fonte : Taciana Giesel, com informações do jornal D24AM

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