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A dignidade médica

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Apesar do ofício de extrema importância que exercem, os médicos integram uma categoria ainda incompreendida. Alvos de uma enorme pressão social, de cobranças por excelência profissional e por um alto padrão financeiro de vida, a realidade desses profissionais é bem mais adversa. Em seu dia a dia, os doutores vivem o estresse dos plantões em unidades superlotadas, sucateadas e mal aparelhadas e em contato com pacientes que não melhoram por dificuldades muito mais sociais do que por suas doenças.

Se isso tudo não fosse suficiente, os médicos se veem às voltas com processos e, frequentemente, sofrem agressões verbais ou físicas por parte de pacientes ou de familiares em seu desespero. Em média, 20 doutores registram Boletim de Ocorrência por mês, sem contabilizar os inúmeros casos de médicos que não prestam queixa por medo de retaliação ou por achar que o BO não terá a eficácia pretendida.

Agressões contra médicos vêm ocorrendo com mais frequência no sistema público de saúde. E não é por acaso: os principais motivos estão ligados à falta de estrutura das unidades, sendo a insatisfação pela demora no atendimento a principal causa dos atos de violência contra os profissionais de saúde.

Neste contexto torna-se importante que o profissional tenha conhecimentos jurídicos básicos para que saiba o que fazer quando se deparar com qualquer tipo de violência. São procedimentos básicos registrar o fato na própria Instituição por meio de comunicação por escrito ao Diretor e ou Coordenador, anotar os dados do paciente agressor, bem como dados de testemunhas que presenciaram os fatos; lavrar Boletim de Ocorrência, informando os dados do paciente agressor e de testemunhas; e realizar exame de corpo de delito, no caso de ter ocorrido violência física. Também é recomendável notificar os fatos ocorridos ao Conselho Regional de Medicina.

Vale ressaltar que a Instituição é responsável pelas condições de segurança de seus funcionários e, portanto, também pode ser responsabilizada judicialmente, assim como o poder público, no caso de a violência ocorrer em unidades públicas municipais, estaduais ou federais.

Importante ressaltar ainda que as agressões que se dão nas redes sociais com a intenção de denegrira imagem do médico, difamando-o e ofendendo a sua honra também consistem em crime. Nesses casos, o profissional deverá imprimir, imediatamente, a página da rede social em que visualizou tal agressão, como: postagens, comentários, compartilhamentos e curtidas. Em seguida, deverá procurar respaldo legal e interpor ação em face do agressor, seja penal e/ou cível para reparação dos danos morais sofridos, retratação e criminalização da conduta do ofensor.

Sem médico não há ações efetivas de prevenção de saúde. E apesar de todas as condições adversas, os profissionais continuam em suas jornadas. Quando falamos apenas dos médicos que atuam na Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) são 1.615 profissionais divididos em 53 especialidades. Em 2015, foram realizados 81.255 procedimentos cirúrgicos. No mesmo período, o Estado registrou 228.701 internações. Neste 18 de outubro, Dia do Médico, o melhor presente mesmo seria mais compreensão e respeito.

Fonte: Télvio Valim, advogado do Sindicato dos Médicos do Espírito Santos

O Logro como Política

Algumas ideias são críveis porque se pode provar serem verdadeiras, outras nascem simplesmente de uma visão de mundo e não são suportadas pelos fatos. Quando essas crenças impactam a economia, que tem recursos finitos, precisam ser comprovadas, sob pena de terem efeitos devastadores sobre as pessoas. As falácias não são ideias loucas, são antes plausíveis e lógicas, mas não são reais, mas por serem plausíveis são encampadas politicamente, transformando-se em políticas e programas de governo, com impactos econômicos e sociais desastrosos. Uma palavra mágica é Igualdade, e a tentativa de transformar igualdade perante a lei em igualdade de condições, tem alimentado muito da disputa ideológica e política. Se isso afronta a lógica, se requisita hipocritamente enganos ou mentiras para denunciar injustiças que precisam ser reparadas. Elas se espalham em questões como livre comércio, distribuição de renda, desigualdade entre raças, entre homens e mulheres, nos resultados da educação, na discriminação do trabalho, nas políticas urbanas, criminalidade e violência. A prática mais perigosa é, sem submeter a assertiva à prova dos fatos, simplesmente considerá-la boa ou má de acordo com uma visão ideológica pré-existente de mundo. Charles Sanders diz que muito do que as pessoas têm como verdade, são vagas sombras de ideias, tão sem sentido que até faltam evidências para que sejam falsas. Muitas falácias ocupam o mundo das ideias de hoje, e visam à divisão da sociedade, para adequá-la a ideologia de um partido, ou à conquista de grupos militantes que venham a defender essas políticas. As palavras têm poder. Justiça e igualdade, embora possam ser coisas distintas para as pessoas, são vocábulos tão fortes, que inibem o confronto de ideias, ninguém quer ser apontado como defensor do que é injusto ou contra a igualdade entre as pessoas. Há muitas razões para que as ideias falsas permaneçam por muito tempo, líderes de causas e movimentos, intelectuais e acadêmicos não querem perder prestígio e poder ao verem suas ideias fracassarem, e ao mesmo tempo às pessoas que acreditaram estar ajudando os menos afortunados é doloroso ver que estão pior que antes. Para Thomas Sowell, em Economia: Verdades y Mentiras, Evidências que desmascaram erros, enganos ou mentiras são perigosas do ponto de vista político, financeiro e psicológico para as pessoas ou partidos, que as sentem como uma ameaça aos seus interesses ou à imagem que tem de si mesmos.

Artigo de: Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, publicado no Novo Jornal, dia 05/10/2016.

A Política e o Voto

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Para Aristóteles, o objetivo da política é descobrir a maneira de viver que leva à felicidade humana. O momento crucial da Democracia é a campanha política, onde o eleitor faz sua escolha.

A campanha opera com predisposições armazenadas nas mentes das pessoas. Gaudêncio Torquato fala de quatro impulsos básicos, dois de preservação do indivíduo e dois de preservação da espécie, atuando na escolha do eleitor, o impulso Combativo, busca por sobrevivência, segurança, uma vida melhor, o impulso Alimentar considera a economia, saúde, programas sociais, o impulso Sexual, visa a família, os filhos, e o impulso Paternal, trabalha valores, o candidato é um defensor, um protetor. Na campanha se confrontam partidos, grupos, ideologias.

Para Olavo de Carvalho a arena política é uma disputa entre teses de esquerda e direita. Entram em campo questões como controle estatal da economia, interferência do governo na vida social, perseguindo um ideal igualitário acima de questões de ordem moral, cultural, patriótica ou religiosa, pela esquerda; e defesa dos direitos individuais e dos poderes sociais intermediários contra a intervenção do Estado, patriotismo, valores religiosos e culturais tradicionais acima de quaisquer projetos de reforma da sociedade, pela direita. Importam no Candidato, sua aparência e personalidade, sua confiabilidade e liderança.

Para Manuel Castells, as três principais características buscadas no candidato são honestidade, inteligência e independência. A campanha é personalizada e contada como um Drama, o candidato busca fazer o eleitor se sentir identificado.

Nos debates o ataque é contra quem está na frente, mas o que pode alterar as pesquisas são os erros do candidato. O eleitor independente é mais sensível a tomada de decisão contrária aos erros e falhas, daí as campanhas serem hoje de desconstrução de imagem, de ataque e procura de escândalos para desacreditar o adversário, mas o excesso pode cansar e transformar o acusado em vítima. Sem um mínimo de recursos não existe sequer campanha, discursos, debates, visitas e declarações devem compor uma narrativa política para a mídia, buscando empatia com o eleitor.

As estratégias de campanha são três, garantir a base histórica, confundir ou desmotivar o eleitorado do oponente e ganhar o apoio dos independentes ou indecisos. O desinteresse pela política é uma maldição perigosa. Sobre isso, dizia Platão: O castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus.

Artigo de: Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, publicado no Novo Jornal, dia 28/09/2016.

Dialética da modernidade

rnA modernidade, o triunfo do individualismo e do conceito de progresso, promovidos pelo avanço notável das ciências experimentais, fez das elites em geral materialistas, agnósticas e ateias. Pensou-se ter descoberto os segredos do mundo, através da teoria da evolução de Darwin. A eclosão das ciências humanas, sociologia, psicologia pretendeu igualmente desvendar as leis da natureza humana e da sociedade. E a crítica histórica submeteu tudo a um olhar cínico e ideológico, onde quase tudo se resumiu a poder, opressão e dominação. Hans Küng em Os Grandes Pensadores Cristãos, diz que não há que se contestar as grandiosas aquisições nas ciências, filosofia, tecnologia, indústria, no estado e na sociedade em geral. Mas há questões em relação à razão, ao progresso e ao estado nação. O que surge da modernidade é ambivalente, pode-se falar de uma Dialética da Modernidade que inclui liberalismo e socialismo, investigação científica e progresso moral, tecnologia e espiritualidade, economia e ecologia, democracia e ética, para contrapor os interesses e a sede de poder de dirigentes e grupos de pressão. Para Küng há quatro questões que confrontam a modernidade como tarefas de vulto, a cósmica, o homem e a natureza, a antropológica, a mulher e o homem, a sociopolítica, os pobres e os ricos e a religiosa, o homem e Deus. Estes problemas existem para a civilização ocidental e o mundo cristão, mas também se estendem para o oriente e o mundo muçulmano. A modernidade transformou o mundo, o homem e seu ambiente, através da revolução técnica, novos métodos de produção, a explosão demográfica, a revolução agrária e finalmente a revolução industrial. A secularização, com a autonomia da filosofia, das ciências, da economia, da política, do direito, da educação e da cultura, leva o homem a conquista da autodeterminação ou da emancipação e do domínio do mundo, através da desmistificação, pondo em cheque a religião e a igreja. Na pós-modernidade já encontramos o mundo com a pluralidade heterogênea de projetos de existência, modelos de comportamento, linguagem, formas de vida, concepções científicas, sistemas econômicos, sociais e comunidades de fé. Aldoux Huxley diz que somos seres em busca de ordem e significado, e a ciência, a filosofia e a arte buscam dar sentido ao mundo. Kant fala de um imperativo categórico, algo é ético para mim se eu quero para todos e todos podem fazer. Algo assim como a filosofia judaico cristã, não faça ao outro o que não queres que façam a ti.

Artigo de: Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, publicado no Novo Jornal, dia 21/09/2016

A Guerra Cultural

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Foto: Mariana Macrini

Marcuse é um dos mais importantes ideólogos da Esquerda. Pertencia à escola de Frankfurt, que incluía sociólogos, críticos de arte, psicólogos, sexólogos, cientistas políticos e toda uma gama de estudiosos que se propuseram a transformar o Marxismo de uma teoria econômica numa realidade cultural. Marcuse expressava o propósito de uma revolução cultural, incluindo a moralidade da sociedade. Enquanto Marx acreditava que o poder estava com os que controlavam os meios de produção, a escola de Frankfurt dizia que o poder estava junto dos que controlavam as instituições de cultura. Vem da escola de Frankfurt uma das armas mais sórdidas usadas no confronto das ideias. Sem nenhum respeito pelo pensamento divergente, esses pensadores consideravam os conservadores neuróticos e a partir daí desenvolveu-se toda uma sistemática, hoje usada fartamente pela esquerda, que substituiu o debate pela psicologização, uma forma de silenciar o oponente, acusando seu pensamento de ser uma patologia, hoje visto nas agressões de homofobia, machismo ou racismo a qualquer discordância do pensamento esquerdista.

Outro pensador da esquerda, o Italiano Gramsci vai na mesma linha. Não é a tomada política do poder pela força que implanta a revolução, mas a conquista da hegemonia pela ocupação das instituições culturais. Gramsci foi adotado pela intelectualidade que a partir dali sentiu que não precisava pegar em armas para ser revolucionária, mas que nas universidades, imprensa, cinema, teatro, Ongs e até igrejas, podia destruir costumes e valores e fazer a revolução, entendida como a tomada do poder político. A teoria dos Cadernos do Cárcere de Gramsci é na verdade a teoria do fascismo, onde corporativismo se transforma em hegemonia. A sociedade é um conjunto de centenas de pequenas instituições, e submetê-las é o segredo da política. Quando a esquerda precisa identificar continuamente o fascismo como o grande inimigo, já se entende que os meios são os mesmos. A guerra cultural da esquerda para controlar as instituições visa destruir a forma de governo fundada na representação, na lei e nas instituições autônomas que medeiam o indivíduo e o estado. Para estes pensadores a política não passa de uma cobertura mentirosa posta sobre a realidade do poder. Para Roger Scruton, as belas palavras libertação, democracia, igualdade, progresso, paz, ditas sem o menor compromisso com a verdade, são apenas floreios para a prática revolucionária.

Artigo de: Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, publicado no Novo Jornal, dia 14/09/2016

“Crime e Castigo”

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Foto: Mariana Macrini

Uma das obras primas da literatura mundial, do Escritor russo Dostoiévski, é Crime e Castigo. Nela, acuado pela culpa, Raskólnikov, confessa seu crime. No livro Os Anjos Bons de Nossa Natureza, Steven Pinker faz um estudo da violência, mostrando as taxas de homicídios ao longo da história humana, desde as sociedades caçadoras coletoras, onde 15 em cada cem pessoas eram assassinadas, até os dias de hoje, onde no lugar mais seguro, a Europa Ocidental, no século XXI, esse número caiu para 1 homicídio para cada 100 mil habitantes.

Esse é o número de uma sociedade segura, seu limiar é de 10 para cem mil, como nos Estados Unidos, acima do qual a sociedade é visivelmente violenta. No estudo das tendências da violência, baseadas no processo civilizador, destacam-se forças históricas que permitiram a sua queda.

A principal é o Estado, com a responsabilidade de aplicar a justiça, reprimindo a vingança e a retaliação, o Comércio gentil, permitindo a circulação de pessoas, bens e gerando riquezas, a ascensão das mulheres e dos valores femininos, pacifistas, o Cosmopolitismo, alfabetização, mobilidade, convivência entre sociedades e a razão, com a educação e a cultura mostrando a futilidade da violência e a visão de um problema a ser resolvido, não uma disputa a ser ganha.

Para Manuel Catells, em Fim de Milênio, destaca-se como fenômeno da atualidade o crime organizado, e seu mundo que envolve tráfico de drogas, armas, material nuclear, mulheres e crianças, órgãos, contrabando de imigrantes Ilegais, assalto a bancos, sequestros, extorsão, suborno e lavagem de dinheiro, assegurados pelo uso de violência em nível extraordinário.

A alta taxa de homicídios no Brasil, de 30 homicídios para 100 mil habitantes, de Natal, no RN, de 60 homicídios para 100 mil habitantes, ou outras elevações espasmódicas no mundo, ocorrem por falência do Estado em cumprir seu papel, da perda de credibilidade na justiça e na aplicação das leis, no abrandamento e na incerteza da pena, fazendo crer que o crime compensa.

Nessas situações onde o processo civilizador deu marcha a ré, a lei do mais forte, da dominância, do olho por olho, da vingança, do ganho predatório podem se impor. A tudo isso se soma o crime organizado e sua influência na cultura, atraindo as pessoas para o mundo das drogas, do sexo e do dinheiro.

Para Pinker, as sociedades mais pacíficas são as melhores governadas, mais ricas, sadias, educadas, respeitosas com as mulheres e ocupadas com o comércio.

 

Artigo de:  Geraldo Ferreira publicado no Novo Jornal

 

O ataque à Família

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Foto: Fenam

Os Individualistas radicais que não toleram qualquer arranjo que não derive da escolha consciente, atacam a família como dispensável e, pior, como uma forma de opressão patriarcal da qual as mulheres e crianças devem ser libertadas caso queiram desfrutar de uma liberdade e satisfação próprias.

Estilos de vida alternativos se apresentam para substituir o arranjo familiar, eles vêm sob a forma de permissividade sexual, uso de drogas, divórcio fácil e dissolução da família, promoção da gratificação pessoal à custa da responsabilidade pessoal, desprezo aos códigos morais religiosos e tradicionais, programas assistencialistas que fomentam a dependência econômica, social e política.
No ataque à família, apresenta-se a visão da esquerda e seu revisionismo das instituições, buscando sempre alinhá-las aos requisitos da primeira pessoa, o indivíduo e sua liberdade, alicerçada no desejo, sem contenção ou transcendência, ou baseada na autonomia, onde a busca por essa liberdade sempre vai encontrar uma razão que incite e justifique a conduta.
A Família não é acidental, diz o filósofo Roger Scruton, e o vínculo familiar só seria dispensável se o fossem também o prazer, a diligência, o amor, a tristeza, a paixão e a obediência, e isso apenas a minoria pode persuadir-se por qualquer razão a renunciar. A família é uma sociedade limitada, mas verdadeira, e é anterior a todo Estado ou Nação.
Também é uma instituição social que se define por suas funções, Dr. Lyle H. Rossiter cita: Gerar, proteger e socializar o jovem, regular o comportamento sexual, ensinar e modelar a conduta e as proibições da consciência, os ideais de equidade e justiça, os mecanismos de recompensa e punição por mérito e merecimento, transmitir valores morais, sociais e políticos, ser foco do trabalho produtivo, prover conforto emocional, apoio e refúgio para seus membros, servir como fonte de referência para status como Etnia, Cultura e raça. Essas funções parecem ser universais entre as culturas, sociedades e períodos históricos.
Redesenhar os termos do relacionamento individual, familiar e societal parece ser a grande utopia dos que defendem o individualismo radical. A intenção final ao se tentar destruir a família é, na conclusão do Dr. Lyle no seu livro A Mente Esquerdista, coletivar as grandes dimensões do relacionamento social e trazê-las para o controle cada vez maior do Estado.
A defesa do individualismo radical e o ataque à família buscam, na verdade, em vez de libertar o indivíduo, aprisioná-lo.
Fonte:  Geraldo Ferreira | publicado no Novo Jornal
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